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28/06/2021

Maternidade sincera: Bebês arco-íris

Maternidade sincera: Bebês arco-íris

Se a gente fizesse a seguinte pergunta: quando foi que você começou a amar seu filho? Muito provavelmente você responderia que foi assim que você descobriu que estava grávida, não é mesmo?
Agora imagina ter essa gravidez interrompida sem aviso? Dói só de pensar!
Esse é um medo que assombra a maioria das mulheres, principalmente nos primeiros 3 meses de gestação. E isso tem razão de ser, já que abortos espontâneos são mais comuns do que a gente imagina. Estimativas publicadas na revista médica The Lancet em abril deste ano, mostram que cerca de 23 milhões de gestações em todo o mundo terminam em aborto espontâneo a cada ano – isso é 15% do total ou 44 a cada minuto.
A perda prematura do bebê causa luto, ansiedade e ainda mais medo de uma segunda, terceira, quarta tentativa de gestar. É uma tempestade que se estabelece. A felicidade é que muitas mamães conseguem realizar o seu sonho, mesmo depois de perdas como essa. E aí surgem os conhecidos bebês arco-íris.
Bebês arco-íris são as crianças que nascem após tentativas de gestação sem sucesso, geralmente marcadas por abortos espontâneos ou mortes prematuras. É um momento de extrema alegria, que deixa a tempestade pra trás e ilumina a vida desses novos papais.
Acompanha com a gente a história dessas mamães!

 

“Eu engravidei em 2014. Foi uma gravidez planejada, pensada, muito desejada... mas foi uma gestação muito difícil. Eu passava muito mal. Fiquei, inclusive, um tempo internada em hospital em razão de uma hiperêmese gravídica, que ocasionava vômitos e que me impedia de ter uma alimentação adequada.

Em uma das internações, quando estávamos na décima segunda semana de gestação, fiz um ultrassom. E o coração do bebê que antes eu já havia escutado, não batia mais. Depois de realizar duas curetagens, foi identificado que eu tive uma gravidez hidatiforme, uma condição rara conhecida como mola, que é um tumor que se desenvolve na placenta. Por um ano não poderíamos engravidar e foi preciso realizar acompanhamento, fazer exames periodicamente... Mesmo assim, acabei desenvolvendo outras comorbidades, como esôfago de Barrett.

Passaram-se dois anos bastante difíceis, mas por fim, em 2016 engravidamos novamente e no ano seguinte nasceu o Artur, uma criança linda e que veio completar nossa família. Hoje a gente entende que a perda do bebê nos trouxe muitos ensinamentos. Assim como também a convivência diária com o Artur, que transborda amor nas nossas vidas”.

Elidiane é mãe do Artur, de 4 anos, e esposa do Gustavo

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"Sou a Laura, tenho 35 anos, esposa do Tiago e mãe de um anjinho no céu e do Pietro que hoje tem 5 anos!

Desde que me conheço por gente sempre adorei crianças e meu sonho de menina era ser mãe! Porém, sonhos nem sempre vêm sozinhos. O tempo passou, a criança cresceu e junto com o sonho veio o grande medo de não conseguir... medo de que, por qualquer motivo, eu não pudesse ter filhos. E por muito tempo esse duelo entre meu maior sonho e meu maior medo gritavam dentro de mim.

Foi quando em 2014, no susto, descobri que estava grávida de 9 semanas. Na época não estávamos tentando, mas foi uma felicidade gigantesca. Algo que dominou nossos corações! Meu grande sonho estava prestes a se realizar!

No entanto, as coisas não evoluíram como sonhado e já na primeira ecografia descobrimos que as chances seriam mínimas, pois o bebê tinha vesícula vitelínica hidrópica maior que o esperado e essa notícia me tirou o chão. Foi como um soco no estômago, onde o meu grande medo também ganhou um espaço igualmente gigantesco dentro de mim.

Os dias passando, as chances diminuindo e eu desmoronando. Nada mais podia ser feito... a sensação de impotência, não há como descrever. A dor, a tristeza e o aterrorizante medo de nunca mais conseguir ser mãe gritavam dentro de mim.

Nos meses seguintes descobri que estava com ovários policísticos, outra angustia. Então meu médico orientou o tratamento e disse que seria um processo lento até a nova tentativa de gravidez, pois primeiro iríamos tratar e depois ver o que acontecia.

Passados 7 meses desde a curetagem, resolvi que não iria mais tomar o anticoncepcional, já que seria um processo lento mesmo, não ia mais ficar me "cuidando". Achei que seria demorado e coloquei nas mãos de Deus o meu sonho e minha angustia.

Para minha surpresa, um mês e meio depois descobri que estava grávida novamente. Foi um misto de sentimentos, uma ansiedade até a primeira ecografia... até ouvir o coraçãozinho e saber que tudo estava bem, que era real.

E assim chegou o Pietro em nossas vidas. Um menino serelepe, querido e amoroso. A realização concreta de um sonho, a superação de um medo e um novo sentido pra nossas vidas. Somos muitos gratos a Deus por nos permitir, mesmo que por algumas semanas, termos tido um anjinho conosco, pra nos ensinar a acreditar que Ele é que sabe o momento certo pra cada coisa em nossas vidas. E somos infinitamente gratos a Ele por nos permitir ter o Pietro.

Ser mãe tá longe de ser um conto de fadas ou algo fácil. É como um videogame infinito da vida real: quando tu acha que venceu a fase, vem uma nova mais desafiadora (kkkk). Mas sem dúvida nenhuma foi a melhor e mais assertiva decisão que tive na vida e jamais desistiria da tentativa de realizar esse sonho!"

Laura é mãe do Pietro, de 5 anos, e esposa do Tiago

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