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29/07/2021

Maternidade sincera: Gravidez inesperada

Maternidade sincera: Gravidez inesperada

A gravidez em geral é um momento ansiado, planejado e sonhado pelos casais. É um elo que vincula eternamente aquele eixo, quer permaneçam todos unidos ou não. Mas às vezes a gravidez surge de surpresa, em momentos onde nem é mesmo cogitada ou entre pessoas onde planos conjuntos ainda pouco existem!

E se uma gravidez toda planejada já é capaz de provocar tantas dúvidas, imagina uma inesperada! São tantos os sentimentos despertados, além dos comuns ao desenvolvimento de um ser dentro de si, que a futura mamãe se pergunta: e agora?!

Nossas convidadas do Maternidade Sincera de hoje dividem suas histórias com vocês e trazem uma mensagem: no fim, tudo dá certo!
 

Tudo sempre foi muito planejado na minha vida: escola, faculdade, especialização, casamento, filhos. Até a especialização, tudo estava indo conforme o planejado. Depois de 10 anos de namoro, estávamos aguardando o apartamento que compramos ficar pronto para então casarmos e termos filhos. Tudo seguindo nossos planos!
Eis que quase dois meses após uma viagem de férias, na qual esqueci de tomar uma pílula (ou duas), veio a grande surpresa (ou o grande susto!): eu estava grávida! No primeiro momento, chorei de desespero: "Como assim, grávida? E o apartamento? E o casamento? E as viagens que programamos antes dos filhos? Eu quero filhos, mas agora? Não estamos psicologicamente e nem financeiramente preparados pra isso!".

Todas essas dúvidas e todos os medos que tínhamos cessaram quando ouvimos pela primeira vez as batidas do coração daquele feijãozinho, tão pequenino e com tanta vontade de viver! Naquele momento, eu e Charles nos olhamos, nos demos as mãos e, sem dizer uma palavra, soubemos que, com amor, carinho e dedicação, tudo daria certo! 

Quando a Júlia nasceu, não tenho palavras pra expressar a emoção que foi tê-la nos braços! Quanto amor expressava aqueles olhinhos pequenos e aquele choro estridente! Aos poucos tudo se encaixou... ela me ensinou a amamentar, nos ensinou a preparar a mamadeira, nos ensinou a trocar fraldas e a dar valor as boas noites de sono! Enfim, nos ensinou a sermos pais!

Hoje, cinco anos depois, olho pra trás e vejo que ela nasceu no momento certo das nossas vidas! Cada beijo, cada abraço, cada cartão, cada "mamãe, eu te amo" preenche qualquer espaço pra dúvida que um dia eu tive! O apartamento virou uma casa com quintal pra ela brincar, o casamento virou aquele da festa junina que ela ama participar e as viagens sem filho, bem, não consigo imaginar como seriam, mas certamente eu levaria bem menos bagagem! Tudo tomou seu devido rumo... a Júlia preenche nossa casa e nossas vidas! Com a vinda da Júlia, percebi que a vida não é feita apenas de planos e que as surpresas que ela nos proporciona são, muitas vezes, melhores que qualquer planejamento que poderíamos ter feito!

Letícia Vanz, mãe da Júlia

 

Meu nome é Amanda Mazzochi de Oliveira, tenho 35 anos, sou casada com o Lucas e mãe da Alice, de 7 anos, e da Ana Luísa, de 3 anos e meio. Fui convidada a compartilhar um pouco da minha experiência com vocês e espero que as nossas histórias se conectem de alguma forma e que essas palavras possam tocar seu coração, proporcionar algum conforto que você talvez esteja precisando nesse momento... porque, no final, acredite: tudo dá certo!

A minha gestação inesperada veio acompanhada de várias situações inesperadas! Então com 28 anos, eu estava numa fase totalmente focada na minha vida profissional, na reta final da minha faculdade e buscando novas experiências que engrandecessem meu currículo. Tinha encerrado um relacionamento de seis anos e entrar em outro ou constituir uma família estava totalmente fora dos meus planos. Eu realmente pensava que tinha e que estava no controle da minha vida... e Deus me mostrou que não!

Me permitam fazer um parêntese aqui e falar um pouco do que eu acredito. Eu creio muito numa força maior do Universo, que eu chamo de Deus, independentemente de credo ou religião. E eu tenho certeza que tudo isso fez parte de um plano maior e muito incrível, idealizado por Ele... Sabe aquela máxima “os planos de Deus são infinitamente maiores do que os que nós temos”? Comigo foi exatamente assim. Se não fosse por essa ruptura tão brusca, teria trilhado minha vida por outro rumo... Diferente, quem sabe mais tranquilo... Mas com certeza não seria tão repleto de amor!

Eu conheci o Lucas em outubro de 2013 e ao final de novembro deste mesmo ano eu estava grávida. Fomos pegos de surpresa e obviamente nenhum dos dois estava preparado para isso. Sabe, acredito que até mesmo os pais “planejados” em algum momento se colocam à prova se de fato estão prontos para esta nova jornada.

Ao longo da minha gestação eu tive muitas incertezas, afinal, nada ocorreu da forma como eu tinha idealizado para esse momento. Hormônios, mudança no corpo, quem eu me tornaria, que tipo de mãe eu seria... Em paralelo, meus sentimentos como mulher: Lucas é quem eu quero realmente ficar, viver e constituir uma família? A minha concepção de estrutura familiar, os valores que recebi... meus preconceitos, sim, eu os tive: seria uma mãe solteira? E o julgamento alheio... Como eu daria conta disso tudo? Confesso que até hoje eu não sei! Foi tudo tão novo, tão intenso, tão inesperado, tão assustador. Eu não sabia se eu conseguiria. Mas de algum modo, eu consegui! E se estou aqui escrevendo, é porque de alguma forma eu aprendi com tudo isso e hoje tenho a oportunidade de compartilhar essa experiência.

Um dos maiores desafios que eu tive foi o de abrir mão do controle, todas as áreas da minha vida ficaram completamente fora do meu planejamento... Eu precisei me refazer, começar do zero e construir uma nova Amanda. Assim eu fui aprendendo a viver um dia de cada vez. Com o passar dos dias eu fui me moldando às mais diversas situações, respeitando meu tempo, meu aprendizado, entre infinitas tentativas de erros e acertos... E quem diria que isso seria um grande teste para quando a maternidade fosse colocada em prática, afinal, este é um dos maiores mantras praticados por nós, mamães.

Assim, fui percebendo que tudo tinha que acontecer da forma como teria que acontecer. E quando comecei a aceitar, parei de idealizar e de tentar controlar a situação, magicamente tudo se tornou mais leve, mais fluido... talvez esse foi um dos primeiros sinais da maternidade: a maturidade estava batendo à minha porta! Então soltei as rédeas da situação e só “recebi” todas as bênçãos que começaram a surgir em minha vida: encarava os novos desafios como oportunidades para novos aprendizados e novas chances para fazer melhor, mais feliz e com mais amor.
Uma das primeiras bênçãos foi perceber quantas pessoas especiais tive no período da minha gestação: todas minhas inseguranças eram instantaneamente destruídas a cada novo abraço que eu recebia quando contava a novidade para um integrante da família. Minha ginecologista também segurou a barra comigo, me aconselhando, puxando minhas orelhas (e isso foi fundamental, pode ter certeza!) e acreditando em mim muito mais do que eu mesma poderia acreditar... A cada nova consulta ela dizia “Tu e o Lucas vão casar, tu vais vir aqui me convidar para o casamento, eu sei!” e eu ria, como quem no fundo, sabia que sim.

Mas mesmo com tanto apoio, segui cheia de dúvidas em praticamente toda minha gestação. Mais um sentimento que iria me acompanhar para sempre: mães nunca sabem se estão fazendo certo, se é suficiente, se está de acordo, se está exagerando, se está faltando - dúvida é quase que o sobrenome de uma mãe! Tinha poucas certezas, mas uma delas era uma voz que vinha lá do meu coração e dizia: tudo vai passar, vai dar tudo certo!

Alice se desenvolveu rodeada de amor, compaixão, empatia e união. Eu e o Lucas construímos um relacionamento baseado no que acreditamos enquanto família... primeiro fomos uma família e depois um casal. Quando decidimos por fim casar, adivinhem só?! Veio a segunda visita inesperada... Ana Luísa participou do casamento no “forninho” – eu estava grávida de duas ou três semanas naquele dia.

E assim, entre tentativas de acerto e erro, seguimos tentando, com as dúvidas sempre nos fazendo companhia! Mas quando o amor é o maior guia, tenha certeza de que todas as angústias e inseguranças se tornam mínimas perto do tamanho do amor e da coragem que existirão dentro do coração de uma mãe. E sabe aquela frase “quando nasce um filho, nasce uma mãe”, eu me atrevo a complementar: “quando nasce um filho, nasce uma mãe e desperta uma mulher incrível, imbatível e indestrutível!”.
Você pode tudo, pelo simples fato de ser mãe e de ser mulher!

Amanda Mazzochi de Oliveira, mãe da Alice e da Ana Luísa

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