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17/07/2020

Maternidade Sincera: O primeiro ano de nossas vidas

Maternidade Sincera: O primeiro ano de nossas vidas

Exatamente há um ano atrás nascia a nossa seção Maternidade Sincera. Foram 365 dias em que colocamos os mais diferentes assuntos na roda, abrindo um espaço de informação com qualidade, através da participação de especialistas das mais diferentes áreas. Tudo para criar um movimento coletivo e inclusivo, no qual as tentantes, futuras ou já mamães se reconhecessem - fosse através das suas dúvidas ou dos seus sentimentos. Como não poderia ser diferente, para simbolizar o primeiro ano dessa história nós convidamos aqueles que, assim como a gente, aprenderam muito neste último. Último, que na verdade, é apenas o primeiro!

O primeiro ano. O primeiro de uma mãe. O primeiro de um pai. O primeiro de um filho! Com vocês, os especialistas no assunto: mamães e papais dividindo com a gente como está sendo esse primeiro ano de muitas descobertas!

 


 

Para sempre, mãe!


Certamente o ditado que diz “nasce um filho, nasce uma mãe” é verdadeiro. E é tão real porque até o momento do nascimento tudo o que temos como conceito de mãe e filho são expectativas, e a partir do nascimento tudo se torna realidade pura. É uma mistura muito forte de sentimentos, pois ao mesmo tempo em que a mãe perde o bebê que estava dentro do seu útero, ela ganha o seu filho em carne e osso, finalmente podendo ver o rostinho tão esperado!
Este rostinho que a faz ter uma outra vida: Muda-se de rotina, mudam-se os hábitos. Enfim, a mudança é total e a mudança é para sempre! É vontade de falar dele o tempo inteiro... É vontade de viver só disso, de ser mãe, o tempo inteiro… É um turbilhão de pensamentos que passam na nossa cabeça! É cada dia uma novidade, um sorriso, um passinho, uma palavra, uma dor, uma insônia, uma mania, uma balda. É como se eu tivesse passado o último ano da minha vida viajando para um lugar diferente e aprendendo coisas novas a cada dia. E assim será para sempre: habituando-me a alguns momentos e fazendo deles novos momentos comuns da minha vida. Assim eu reflito sobre a mulher que me tornei e quem eu quero ser, a cada novo dia, para o meu filho e para o mundo. Que este primeiro ano me tenha feito ser uma pessoa melhor e que eu continue nesta busca!

Roberta Andreis
Mamãe do Francisco, que em dois dias completa seu primeiro ano

 

 

 

Coração de mãe sempre cabe mais um!

Fiquei grávida da Júlia em setembro de 2018. Apesar de ser uma gestação programada, várias dúvidas ficavam na minha cabeça. Por já sermos pais, acho que a maior delas era como seria dividir um enorme amor que já existia e amar esse novo ser com a mesma intensidade, além do ciúme do irmão mais velho.
A Júlia nasceu no dia 18 de maio de 2019, com 36 semanas. Essa menina me encantou de tal forma, que todas as dúvidas sumiram. Fiquei muito emocionada de trazer pra casa uma princesinha tão pequena e ver surgindo a relação entre os irmãos.
Claro que nem tudo são flores! O dolorido início da amamentação, as noites mal dormidas, o cansaço... Mas acredito no que dizem: o segundo filho é mais fácil, a gente já sabe como é a rotina! Quanto ao ciúme entre os irmãos, acredito que é normal em todas as famílias, mas no nosso caso não é tão intenso. O Lucas é muito amoroso com a Júlia – e ela já adora fazer uma bagunça com o mano!
Agradeço todos os dias por ter esses anjos nas nossas vidas. Acredito que nossos filhos nos tornaram pessoas melhores. Com a Júlia aprendi o verdadeiro significado de que  “em coração de mãe sempre cabe mais um”.

Sabrina Carissimi Lunardi
Mãe dos manos Lucas, de 7 anos, e Júlia, de 1 ano e 2 meses

 

 

A minha melhor escolha

Costumo comparar a maternidade com uma dor, por mais estranho que isso possa parecer. Assim como a dor, não adianta tentar explicá-la, tem que viver a experiência para entender e sentir. E digo mais: cada um tem uma experiência e um sentir diferentes.
Meu desafio começou ainda antes de engravidar:  depois de um tempo tentando, descobri que tinha endometriose e tive que passar por uma cirurgia. Outro momento marcante pra mim foi o parto, com as dores alucinantes das contrações misturadas com a maior emoção e felicidade do mundo em segurar pela primeira vez a minha Aurora no colo.
Na sequência, veio a amamentação: foram três meses de uma mistura de dor, choro, frustração, muito amor e força de vontade (só assim para superar essa fase!). Tive todo o apoio do meu marido, que me incentivou a não desistir. Hoje, posso dizer que um dos melhores momentos do dia é quando amamento minha filhota, toda aconchegada no meu colo, com muitos carinhos e cumplicidade.

Uma escolha bastante decisiva que tive foi de abdicar da minha profissão para cuidar da Aurora. Não foi fácil – ainda hoje, por muitas vezes, me pego com saudades da minha “antiga vida”. Mas isso logo passa e posso dizer que não me arrependo, porque sei que não existe salário que pague os momentos lindos que estou vivendo com a minha filha, tendo a oportunidade de estar ao seu lado nas suas descobertas e conquistas.
Para o relacionamento do casal, ter um filho é uma prova de fogo e é fundamental muita paciência e empatia. Aquele ditado que diz que filho não segura casamento é a mais pura verdade, porque tudo muda de uma hora para outra. Há um serzinho totalmente dependente e que exige toda a atenção - as energias, os carinhos e a dedicação passam a ser direcionados para ele. Mas esta mudança vem e você aceita de braços abertos, independentemente do caos que sua vida vai virar - você ama tanto a causa que daria a vida por ela!
A maternidade é desafio, renúncia e insegurança. Mas também é felicidade e muito amor. Morre uma parte da gente nessa metamorfose e nasce uma pessoa melhor, que valoriza os pequenos detalhes pois sabe que estes momentos tão especiais não voltarão mais. Eu escolhi engravidar e foi a melhor escolha da minha vida, agradeço todos os dias pela minha Aurora. Por fim, até parece que lendo esse texto estou reclamando, mas não é isso, muito pelo contrário! O que eu quero é relatar um pouco da realidade, afinal, se não fosse tão bom, não existiriam os irmãos!

Graziela Bastiani Maragno
Mãe da pequena Aurora, de 11 meses

 

Bloco do Nós Família

Após uma fase hardcore, no auge da minha juventude, descobri um álbum que mudou minha concepção musical, o segundo disco de estúdio da banda carioca Los Hermanos, intitulado Bloco do Eu Sozinho. Apesar da frase melancólica, o conceito artístico caiu nos meus braços, assim como um churrasco ao domingo. Entre as quatorze faixas que compõem o Compact Disc (CD),há diversas vertentes musicais: samba, valsa, MPB, entre outras.
Nas noites frias, a solidão ganhou outro sentido. Inquieto, fui buscar entender o que havia mudado o estilo musical dos meus “heróis” e porque tive um baque positivo ao ouvir o Bloco. Nessa imersão musical encontrei referências de figuras carimbadas da música popular brasileira, como Gilberto Gil, Adriana Calcanhoto e Belchior. Debruçando-me sobre álbuns importantes da nossa história, fui invadido pelo disco Circuladô (ao vivo) de Caetano Veloso. Ali, descobri a minha maturidade musical e humana. Essa jornada de conhecimento foi muito representativa, pois esse disco lida com observações sociais universais. De fato, este período foi o “start” a quem eu vinha a me tornar.
Sei que eu poderia ter trilhado outros caminhos e destinos, mas sempre tive a coragem necessária para ir atrás de meus sonhos. Um deles foi a constituição familiar. Talvez porque eu tenha uma baita referência dos meus pais.
Nessas idas e vindas sentimentais, me deparei com um desafio, talvez o maior para um ser humano, ser Pai (com P maiúsculo). Quando recebi a grande notícia, fiquei em estado de bonança, tentando controlar a euforia, já que a minha esposa (Alana) teve um estrondo de sentimentos, em relação à boa nova. Aos poucos fomos construindo a ideia de célula familiar, a fim de dar todo amor e carinho ao baby, que ainda estava por nascer. Depois da compreensão geral da situação, o meu cérebro reagiu ao estímulo paterno de forma instantânea.
Lembro de sentarmos para debatermos o nome do bebê. - Poxa, agora? Nem fiz minha listinha de nomes. Mas já sei a minha primeira opção: Caetano!, defendi. - Certo, gostei!, falou a Mãe. Simples assim, durou nem cinco minutos a escolha do nome mais importante da nossa vida (se fosse menina, seria Luíza, com Zê). Quando me perguntam o porquê da escolha do nome, sempre venho com mil argumentos, tais como a simbologia dos poemas de Jaime Caetano Braun. Mas no meu inconsciente, o impacto que aquele disco do Caetano teve na minha vida foi determinante. Assim como o álbum tem suas peculiaridades, o nosso baby Caetano vem construindo uma personalidade ímpar, desde os primeiros passos, nas primeiras palavras. Ele está cada dia mais carinhoso e possui um gênio impetuoso ao ver um desenho animado que não gosta.
Um dos melhores momentos do dia é quando ele pega o meu dedo e quer caminhar pela casa. Depois de alguns “passinhos” ele olha pra mim e dá o melhor sorriso banguela do mundo. Tento compreender esse significado. Para mim ele quer dizer: - Viu “Dada”? (como supostamente ele me chama), a gente vai estar conectado pra sempre! Outro momento especial é a hora do banho. Tento reservar o meu tempo pra dar atenção especial nesse momento. Apesar da folia com a água, busco sempre harmonizar o instante com uma boa seleção musical, para que o baby, desde cedo, tenha contato com a cultura. Aliás, a primeira música que o Caetano gostou e sorriu foi do mestre Gil, A Novidade! Ele gosta da parte: Ô ô ô ô ô ô ô. Ah aaaah. No momento do banho também há constantes danças impublicáveis, devido a falta de habilidade corporal do Pai.
Nesse quase um ano de vida do pequeno Caetano (completa um no dia 18 de julho de 2020),sinto que os significados dessa experiência são mais meus e da mãe do que dele. Pequenas alegrias da vida adulta. Diante desse tsunami de sentimentos bons, planejo a realização de diversos sonhos, para que o Caetano perceba no futuro que sonhos podem ser realizados, assim como eu idealizava ele na minha vida.
Hoje a vida tem outras cores e sabores. É difícil explicar, mas parece um eterno filme da Sessão da Tarde, que tu já viu um milhão de vezes, mas fica encantado com cada detalhe. Por outro lado, tenho muito mais medo, mas guardo os receios pra não assustá-lo. Pois os perigos são constantes nos primeiros anos de vida. Por ele, sigo a evoluir como Pai. Acho que nunca serei perfeito, mas basta saber que agora somos família. Agora somos o “Bloco do Nós Família”.

Douglas Barreto
Pai do Caetano, que amanhã completa 01 aninho

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