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30/03/2020

Maternidade sincera: Posso dar um selinho no meu filho?

Maternidade sincera: Posso dar um selinho no meu filho?

Demonstração de carinho para uns, absurdo para outros: o selinho entre pais e filhos divide opiniões. E como agir em relação a isso é uma dúvida bastante comum, já que a prática é observada em famílias do mundo todo e muitas vezes compartilhada em fotografias e redes sociais, gerando inúmeras discussões. Mas afinal, dar selinho nas crianças é saudável? 


Para falar sobre o assunto, convidamos a psicopedagoga Jaqueline Comerlato:
 

“Para muitos pais, o selinho nada mais é do que uma demonstração de amor e isso é absolutamente compreensível. Todos sabemos como é difícil conter a vontade de beijar e abraçar o tempo todo os nossos bebês, mas precisamos ficar atentos a questões de saúde e comportamentais decorrentes desta prática (ainda mais em tempos onde todo o cuidado é pouco, como agora com o COVID-19).

O sistema imunológico do bebê ainda é muito frágil e por isso tem mais facilidade em adquirir infecções, vírus, germes e bactérias que podem ser transmitidos pela boca dos pais e até de outras pessoas, como irmãozinhos, avós, tios e padrinhos. Esses, se sentem à vontade para repetir o comportamento, aumentando assim o risco de transmitir doenças.
Com o passar do tempo, os pequenos também poderão reproduzir esta conduta com outras pessoas, pois para elas é um comportamento natural, uma demonstração de carinho. Mas na medida em que a criança vai crescendo, começa a perceber o beijo na boca como algo ligado a sexualidade e isso poderá deixá-la confusa. Por isso, o ideal seria nem começar. Recomendo substituir o selinho pelo abraço, beijo na bochecha, brincadeiras e muita atenção amorosa.

Mas muitos pais que já têm essa prática na família perguntam quando parar. Minha recomendação é parar imediatamente. Se a criança está acostumada a receber selinhos poderá por iniciativa própria buscar o contato. Nesta hora, os pais poderão retribuir com mais rapidez e ir beijando as bochechas, a testa, para ir fazendo a transferência.

Há também vários relatos de que a criança solicita o selinho por ver essa demonstração de carinho entre os pais. Isso acontece quando a criança ainda não tem maturidade para entender que entre os pais há outros desejos. Por isso, a recomendação é sentar com os pequenos e explicar que existem diferentes formas de amor e inúmeras maneiras de demonstrar carinho.

Nestes casos, os pais perguntam se podem continuar trocando selinho entre eles ou se seria melhor evitar fazê-lo na frente das crianças. O selinho entre os pais é um ensinamento importante da diferença entre afetividades. Os pais são namorados e por isso se beijam diferente.”
 

E você? Como lida com essa questão em casa? Conte pra gente!

 

 

Jaqueline Comerlato


Pedagoga com especializações em Psicopedagogia Clínica, Educação Especial: Deficiência Mental e em Gestão Estratégica de Recursos Humanos.
Atuou em consultório particular, como professora de Sala de Recursos (espaço destinado ao atendimento de crianças com necessidades especiais na rede pública de Caxias do Sul-RS). Foi também diretora de escola e professora do curso de pós-graduação em Educação Inclusiva da FSG.

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