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Quem cuida também precisa de cuidado

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Publicado em: 15/06/2026
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Quem cuida também precisa de cuidado

O impacto silencioso da sobrecarga emocional na vida de quem sustenta tudo ao redor

Por Marcelo Roxo e Juliana Zen, em parceria com a Dedeka

 

Vivemos uma época em que estar cansado virou normal.

  • Responder mensagens tarde da noite;
  • Dormir pensando nos problemas do dia seguinte;
  • Sentir culpa ao descansar;
  • Viver em estado constante de alerta;
  • Tentar dar conta de tudo enquanto o corpo e a mente pedem pausa.

Para muitas pessoas, principalmente aquelas que cuidam dos outros diariamente — mães, pais, educadores, profissionais da saúde, lideranças e cuidadores — o autocuidado acaba ficando sempre para depois.

Mas existe uma verdade que precisa ser dita com mais clareza:

 

Quem cuida também precisa de cuidado

Nos acompanhamentos realizados pela IVY, somados às observações clínicas e emocionais conduzidas por especialistas em neurologia e neuropsicologia, percebemos um padrão recorrente: pessoas emocionalmente sobrecarregadas continuam funcionando, trabalhando, cuidando e sorrindo… mesmo já estando exaustas por dentro.

O problema é que o cérebro não interpreta excesso de responsabilidade apenas como “rotina”.

Ele interpreta como ameaça contínua.

E isso muda completamente o funcionamento emocional e fisiológico do organismo.

 

O cérebro cansado vive em modo de sobrevivência

Segundo o neurologista Marcelo Roxo, muitos sintomas que hoje parecem “normais” são, na verdade, sinais de um sistema nervoso sobrecarregado.

  • Dificuldade de dormir;
  • Irritabilidade;
  • Falta de concentração;
  • Ansiedade constante;
  • Sensação de alerta permanente;
  • Cansaço mesmo após descanso;
  • Impaciência emocional;
  • Sensação de não conseguir desacelerar.

“Muitas vezes, ansiedade não é apenas excesso de pensamentos. É um sistema nervoso que perdeu a sensação de segurança.”

Quando o corpo permanece por muito tempo em estado de hipervigilância, pequenas pausas deixam de ser luxo e passam a ser necessidade biológica.

E isso não exige mudanças impossíveis.

 

Pequenas pausas podem gerar grandes mudanças

A neuropsicóloga Juliana Zen reforça que o cuidado emocional não começa apenas em grandes decisões.

Ele começa em pequenas interrupções conscientes do excesso.

Algumas atitudes simples ajudam o cérebro a reduzir o estado constante de ameaça:

  • tomar luz natural pela manhã;

  • diminuir estímulos excessivos;

  • criar momentos reais sem celular;

  • respirar mais lentamente;

  • permitir pequenos momentos de silêncio;

  • aceitar ajuda;

  • reduzir a autocobrança;

  • descansar sem culpa.

Parece simples.
Mas neurologicamente, esses comportamentos ajudam a regular o sistema nervoso e diminuem o desgaste emocional acumulado.

 

 Sono não é luxo. É necessidade cerebral

Outro ponto frequentemente negligenciado é o sono.

Privação de sono prolongada altera memória, humor, impulsividade, tolerância emocional e capacidade de decisão.

Depois de certo ponto, a pessoa não está apenas cansada.
Ela passa a funcionar em modo de sobrevivência.

Criar pequenos rituais noturnos pode ajudar muito:

  • reduzir telas antes de dormir;

  • evitar resolver problemas emocionais à noite;

  • criar um momento de desaceleração mental;

  • tomar um banho quente;

  • ouvir uma música calma;

  • respirar profundamente;

  • fazer uma oração ou leitura leve.

Nem sempre conseguimos controlar a rotina.
Mas quase sempre conseguimos criar pequenos espaços de cuidado dentro dela.

 

 Ninguém deveria sustentar tudo sozinho

Existe uma cobrança silenciosa para que pessoas fortes suportem tudo sem demonstrar cansaço.

Mas sobrecarga contínua não é força.
É risco emocional.

  • Pedir ajuda;
  • Dividir responsabilidades;
  • Criar rede de apoio;
  • Conversar;
  • Ser acolhido.

Tudo isso faz parte do cuidado.

“Mães perfeitas não existem. Pessoas perfeitas não existem. O que transforma relações é a presença emocional, não a performance.”

Talvez um dos maiores desafios da vida adulta seja justamente esse:
aprender a cuidar de si sem sentir culpa.

 

Às vezes, conversar já é o primeiro passo

Muitas pessoas não precisam inicialmente de respostas prontas.
Precisam apenas de um espaço seguro para falar.

Uma conversa pode aliviar pesos invisíveis.
Pode reorganizar pensamentos.
Pode ajudar alguém a perceber que não precisa enfrentar tudo sozinho.

E talvez o cuidado comece exatamente aí:
quando alguém finalmente consegue parar por alguns minutos… e se escutar também.

 

 

 

Juliana Zen é psicóloga e neuropsicóloga com especializações em Saúde Mental, Medicina Funcional Integrativa e Reabilitação Cognitiva. Possui certificações 
internacionais pela UC Berkeley e Brain Academy. No seu trabalho, une ciência e escuta clínica para criar estratégias personalizadas que conectam mente, cérebro e 
qualidade de vida. 

Contato:

@julianazenpsicologa  
www.julianazen.com.br  
juliana@julianazen.com.br 

 

 

Dr. Marcelo Roxo 
Neurocirurgião pela Santa Casa de Porto Alegre 
Neurologia e Medicina de Longevidade e Performance 
Ex-Professor de Neurologia e Neurocirurgia na Faculdade de Medicina da Universidade de Caxias do Sul (UCS) 
Criador do Ultra Inteligência, com mais de 90 mil alunos online 

Contato:

@drmarceloroxo

Conheça a parceria Dedeka+Ivy
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